Sobre os impactos do ajustamento tarifário na capacidade produtiva da economia

TARIFAS DE ELECTRICIDADE: QUEM SUPORTA, AFINAL, O CUSTO DO AJUSTAMENTO?
TARIFAS DE ELECTRICIDADE: QUEM SUPORTA, AFINAL, O CUSTO DO AJUSTAMENTO?

Economista da Faculdade de Economia da UJES reflecte sobre os impactos do ajustamento tarifário na capacidade produtiva da economia

O debate em torno das tarifas de electricidade vai muito além da simples questão do aumento dos preços. Os efeitos de um ajustamento tarifário podem repercutir-se sobre as famílias, as empresas e, de forma mais ampla, sobre a capacidade produtiva da economia.

Esta é uma das principais reflexões apresentadas pelo Dr. Tadeu Fecayamale Leonardo, Economista, Professor, Mestre e Chefe do Departamento de Ensino e Investigação de Economia da Faculdade de Economia da Universidade José Eduardo dos Santos (FEc-UJES).

Numa abordagem inspirada na Teoria da Produção, associada ao economista Robert Solow, o docente chama a atenção para a importância da articulação entre capital, trabalho e produtividade na determinação da capacidade produtiva de uma economia.

Neste contexto, a energia eléctrica assume um papel fundamental, constituindo um dos factores que condicionam o funcionamento das actividades económicas. Para além do impacto directo nas despesas das famílias, alterações nas tarifas podem influenciar os custos de produção das empresas, a competitividade, os níveis de investimento e, consequentemente, a produtividade.

A questão central colocada pelo economista é, por isso, quem suporta efectivamente o custo do ajustamento tarifário. Embora o aumento das tarifas possa estar associado à necessidade de garantir a sustentabilidade do sector eléctrico e melhorar a qualidade e continuidade do fornecimento, os seus efeitos económicos devem ser analisados de forma abrangente.

Para as empresas, uma subida dos custos de electricidade pode traduzir-se num aumento dos custos de produção, podendo reflectir-se nos preços dos bens e serviços. Para as famílias, o ajustamento pode reduzir o rendimento disponível e afectar o consumo. Em ambos os casos, os efeitos podem ultrapassar o sector energético e alcançar diferentes segmentos da economia.

A reflexão do Dr. Tadeu Fecayamale Leonardo reforça, assim, a necessidade de olhar para a política tarifária numa perspectiva económica mais ampla, considerando não apenas a sustentabilidade financeira do sector eléctrico, mas também os seus efeitos sobre a produção, o emprego, o investimento e o bem-estar das famílias.

Mais do que discutir apenas quanto aumenta a tarifa de electricidade, importa compreender quem suporta o custo desse ajustamento e quais são as suas consequências para a economia nacional.

A contribuição do docente da FEc-UJES insere-se no compromisso da UJES de promover o conhecimento científico e a reflexão académica sobre questões económicas e sociais de relevância para Angola.

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